*Deputada Federal Fernanda Melchionna (PSOL/RS)

O Brasil é celeiro de grandes educadores e, contraditoriamente, um país que pouco valoriza a educação. Aqui nasceu Anísio Teixeira, pioneiro na implantação da escola pública em todos os níveis. É o país de Paulo Freire, patrono da educação brasileira, que introduziu um método revolucionário de alfabetização de jovens e adultos e, ainda hoje, conserva o posto de autor mais citado em trabalhos de pesquisa no exterior. Somos, ainda, o país de Darcy Ribeiro que certa vez afirmou que “a crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto”, algo que se perpetua por anos a fio e aparece de forma despudorada no governo Bolsonaro. 

Do lado oposto, estão nossos vexames. Gastamos menos de 4% do PIB em educação. Professores e professoras têm seus salários parcelados em muitos estados e, para piorar, o desgoverno Bolsonaro cortou verbas das universidades públicas, institutos federais e, inclusive, da educação básica. O ataque à educação no Brasil é uma forma impedir a possibilidade de uma mínima ascensão social dos mais pobres. Já diziam as vozes das ruas: “quando se nasce pobre, ser estudioso é o maior ato de rebeldia contra o sistema”. Esse também é única maneira da ignorância, a intolerância e o preconceito governarem. Não à toa, esse é o projeto de Bolsonaro: atacar todo o povo brasileiro para preservar os podres poderes. 

Frente a tais ataques os estudantes e os trabalhadores em educação protagonizam um verdadeiro tsunami em defesa da educação com mobilizações multitudinárias e grande apoio popular. Como primeiro sinal de desespero, Bolsonaro apelou às suas hordas golpistas e, após o 15/05, convocou uma manifestação marcada por pautas antidemocráticas e antipobres. Entretanto fracassou. Em seguida o ministro da Deseducação, especialista em passar vergonha, vai às redes sociais com um guarda-chuva lançando fake news e ameaças para desmobilizar e deslegitimar o 30/05. Fracassou também. As manifestações superaram de longe os números do 26 /05 governista. A educação está vencendo.


Weintraub deveria fazer as malas. Seu guarda-chuva não resiste ao tsunami.

*Artigo originalmente publicado no jornal Zero Hora

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