Porto Alegre espera há anos a revitalização do Cais Mauá. A vocação para a cultura e o lazer, além da arquitetura histórica e o patrimônio ambiental da área traz um potencial enorme das diversas possibilidades de uso do espaço pela população. Sempre defendemos uma revitalização democrática que permita ressaltar as características originais com a integração da Orla com o Centro Histórico. 

Entretanto, há mais de 8 anos os porto-alegrenses estão tolhidos de usufruir desse espaço porque apostaram em um projeto desintegrado com a cidade, que previa a construção de Shopping Center, estacionamento para 600 carros, alterando o plano urbanístico da capital. Desde o início movimentos, como AMACAIS, já alertavam sobre a insegurança jurídica por parte do consórcio Cais Mauá do Brasil S.A, sem falar no descumprimento de prazos e contrapartidas e falta de execução do cronograma de obras. A empresa hoje já deve cerca de 6 milhões de reais ao governo do Estado pelo arrendamento da área a ser revitalizada.

O resultado de tudo isso são obras paradas e uma população indignada diante do  abandono de mais um espaço público em Porto Alegre. Além disso, outro alerta que se acende é em relação à perda dos investimentos pelos fundos de pensão. 40 milhões do dinheiro da aposentadoria de milhões de gaúchos (IPE e Canoas Prev) já foram aplicados no projeto. Não podemos deixar que a conta desses prejuízos sejam pagos pelos milhares de aposentados.

Desde 2015 movimentos sociais pedem a abertura do processo de uma nova licitação para a revitalização da área. Acredito que seja necessário e urgente a rescisão do contrato como recomendado pela análise técnica do governo do RS, para que se possa não ter um cheque em branco ao consórcio e debater com a cidade qual modelo de Cais Porto Alegre quer ter. É preciso pensar sobre o futuro de uma das áreas mais nobres da cidade, à beira da orla do Guaíba e com nosso pôr-do-sol nacionalmente conhecido.

Eu defendo uma cidade que preserve as vocações culturais dos armazéns, que encontre soluções criativas para reduzir o número de automóveis na Avenida Mauá e que ofereça uma alternativa de transporte público com qualidade. Uma cidade em que não se estimule a individualidade simbolizada nos arranha-céus elitizados e que debata e construa com a cidadania. Lutar por um Cais Mauá integrado ao Centro Histórico e acessível para todos é garantir uma cidade para as pessoas. Precisamos urgentemente pensar uma Porto Alegre do futuro e não construir uma cidade do passado.

Artigo originalmente publicado em Gaúcha ZH

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