A emergência das manifestações antifascistas no Brasil se combina com a rebelião negra e popular do EUA. Dessa forma, houve um impulso dos movimentos antifascistas e antirracistas brasileiros pela disposição de luta que vem do Norte. Domingo pode ser um dia de grandes mobilizações.

As semelhanças entre estes processos de luta nos dois países estão longe de ser mera coincidência. Como no Brasil, os EUA têm um governo negacionista, autoritário e ultraliberal. Prioriza a saúde dos mercados à saúde das pessoas. Volta sua carga ideológica contra as populações oprimidas e, ao negar as orientações científicas para o combate à pandemia, é culpado pelos altíssimos números de vidas perdidas em ambos países. Da mesma forma, nos dois países são os negros e moradores da periferia as grandes vítimas da crise, da pandemia e da polícia.

A base social de ambos governos se apoia em machistas, racistas, xenófobos, LGBTfóbicos, fanáticos, fundamentalistas e violentos. Uma base ainda desorganizada, mas suficientemente perigosa.

Frente à fragilidade de Bolsonaro, estes grupos se recrudesceram e se radicalizaram. As ruas estavam vazias, a maioria estava cumprindo com sua responsabilidade histórica e humana de preservar vidas. O movimento capitaneado pelas torcidas antifascistas e amplificado pelos movimentos negros país afora colocaram a bola novamente no meio do campo, em termos de correlação de forças. As ruas são o lugar dos direitos, não dos privilégios. Não podemos aceitar manifestações análogas às da KKK, organização que queimava negros vivos nos EUA e não podemos aceitar a continuidade do genocídio que atinge a população negra no Brasil. Isso não é aceitável e se o Estado não tem capacidade ou vontade de impedir, ou pior: se é ele o executor dessa política, nós devemos fazê-lo. É uma obrigação. Nada deste estilo deve ser naturalizado como aceitável.

Porém, as instituições brasileiras estão contaminadas de paralisia frente ao perigo que representa apologia à tortura, como foi caracterizado o AI-5, sendo feita livremente nas ruas com a presença do presidente. São ameaças, não apenas intenções. É preciso pará-los. E tem que ser nas ruas, como sempre só restaram elas.

Nesse momento, nossa manifestação tem um duplo significado. Ela é solidariedade com a rebelião negra nos EUA, que nos inspira e nos compete. O internacionalismo é, antes de tudo, solidariedade ativa entre os povos. A manifestação também é força para enfrentar um governo racista, genocida, miliciano, irresponsável e com predisposição golpista em nosso próprio país. Ela não é o gatilho de um golpe, ela é a trava dos golpistas. Por isso não há dúvidas de onde devemos estar no domingo. Com todos os cuidados necessários, de máscara, com a solidariedade que nos define, estaremos nas ruas contra o governo e seus fanáticos.

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