Os ataques do governo Bolsonaro à previdência dos trabalhadores da segurança pública, sinalizados na proposta de reforma apresentadas à Câmara dos Deputados, tem deixado muitos profissionais da área com a sensação de que foram traídos pelo presidente. A percepção foi compartilhada por representantes de sindicatos de policiais civis que estiveram em reunião com a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL/RS), em Brasília, no final de fevereiro para apresentar as demandas da categoria.

Representantes de policiais e agentes da segurança em reunião no gabinete da deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL).

Conforme o relato dos profissionais, muitos colegas entendem que o candidato que mais recebeu apoio da polícia agora se dedica a tirar direitos dos policiais e agentes.

Participaram do encontro Áureo Cisneiros, presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco, Neiva Carla, vice-presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do RS (Ugeirm Sindicato) e diretora da Federação Interestadual dos Trabalhadores Policiais Civis da Região Sul (Feipol-Sul) e Cládio Abel Wohlfahrt, diretor do Ugeirm.

Entre os principais problemas apresentados, está a alteração nas pensões por morte destinadas às famílias, que podem passar de 100% do valor recebido quando o trabalhador faleceu para 50% com acréscimo de 10% por dependente. “Esta questão das pensões é muito cara para nossa categoria. Os policiais morrem muito e as famílias não podem ser penalizadas pela violência. Outro exemplo gritante é o de policiais que poderiam se aposentar daqui três anos e de uma hora para outra talvez tenham que trabalhar mais nove”, explica Neiva.

Na opinião dos representantes, a categoria precisa de atenção especial da previdência pela exigência do Estado de que o policial esteja disponível 24h por dia, em caso de crimes ocorridos no local em que ele esteja. De acordo com a proposta apresentada por Bolsonaro, os policiais civis não teriam mais direito a aposentadoria diferenciada, caindo no regime geral. Caso aprovado, dependendo do tempo de serviço, o desconto no salário dos policiais pode chegar a 50%, se somado o Imposto de Renda e a contribuição para a previdência.

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