“Marielle acreditava que a revolução não é utopia”, diz Monica Benicio em Porto Alegre

Na semana em que Marielle Franco completaria 39 anos, Monica Benicio, companheira de vida dela, esteve em Porto Alegre e participou do lançamento da pré-candidatura de Luciana Genro a deputada estadual no Hotel Everest, durante o sábado (28). Ela lembrou a morte da quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro, executada injustamente a tiros no dia 14 de março. Marielle era mulher lésbica, nascida na favela da Maré e símbolo de diversas lutas sociais. Mais de 130 dias depois do assassinato, a polícia ainda não apresentou respostas conclusivas sobre o crime.

 “A gente precisa seguir fazendo políticas com afeto, como a Marielle fazia. Recebo muita solidariedade e vejo que ainda é possível sonhar ombro a ombro. Candidaturas como a da Luciana mostram o tipo de política que eu acredito, quando é possível reverter a política da forma que eles que estão no poder fazem”, disse.

Na sexta-feira, Monica fez um discurso na rua Duque de Caxias, no Centro Histórico, durante a marcha do 2º Fórum Latino-Americano La Poderosa. Ela falou sobre a luta de Marielle e do povo latino. “Nós temos algo em comum: o espírito revolucionário que se indigna e revolta diante da injustiça e que não vai aceitar a barbárie que a América Latina é submetida diariamente com retirada de direitos democráticos”, disse.

Monica também lembrou que Marielle acreditava na revolução feita no cotidiano. “Marielle acreditava que a revolução não é utopia. A revolução que a gente faz quando levanta da cama todos os dias e diz para esse Estado que nos mata que nós não seremos interrompidas. Não aceitamos que a população negra e indígena, a população pobre, as mulheres e a comunidade LGBT continuem sendo mortos pelo Estado”, discursou.

Monica tem viajado o país falando sobre o assassinato de Marielle e Anderson Gomes, motorista que estava junto no carro durante o assassinato. Sua força e emoção ficam evidentes na voz e na energia em cada discurso. “Nós temos isso em comum, acreditamos que a revolução é possível e estamos aqui construindo isso. Eu estou aqui por que esse era o sentimento da Marielle. Ela acreditava e era pelo que ela lutava. Sigamos na luta, companheiros. Por uma América Latina livre, sem patriarcado e LGBTfobia. Na luta pelo povo, somos todos companheiros”, finalizou.