Atos foram registrados em mais de 380 cidades, 26 estados e no Distrito Federal reunindo milhões de pessoas.

A Greve Geral da sexta-feira, dia 14 de junho, que começou com repressão aos trabalhadores que protestavam em frente às garagens de empresas de ônibus em Porto Alegre, terminou com mais de 50 mil pessoas nas ruas lutando contra a Reforma da Previdência apenas na capital gaúcha. Aliando as lutas contra os cortes na educação, cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Curitiba e Belém tiveram os serviços de transporte paralisados, fazendo com que a paisagem urbana fosse dominada pelo vazio da ausência do trabalhadores que não aceitam o desmonte social promovido por Bolsonaro e Guedes.

“Mesmo com as mudanças no texto original da PEC 006/2019 na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, o projeto da Reforma da Previdência segue sendo uma tragédia para o povo. Diria que como está agora, a reforma é um copia e cola da reforma da previdência de Temer. Por isso, temos que seguir lutando nas ruas, inspirados na luta dos estudantes contra os cortes da educação.”, disse a deputada federal Fernanda Melchionna.

Categorias profissionais como metroviários, motoristas, cobradores, trabalhadores da educação, da saúde, dos Correios, bancários, metalúrgicos, entre tantas outras também cruzaram os braços pelo Brasil.

Foto: Otávio Pavinato

Governo Leite reprime manifestações em Porto Alegre

O episódio que mais revoltou os trabalhadores que protestavam nas primeiras horas da manhã pela manutenção de seus direitos sociais e contra a Reforma da Previdência foi a reação desproporcional da Brigada Militar do governo estadual do RS. A BM agrediu manifestantes e prendeu 51 pessoas em um piquete em frente à garagem de ônibus da empresa VTC, na zona sul da capital, além de seis funcionários da Trensurb em Sapucaia do Sul, e também jogou bombas de gás lacrimogênio, jatos d’água, acionando a cavalaria contra os que lutavam em frente à Carris.

“O governo Eduardo Leite reprimiu com muita bomba, gás lacrimogêneo e cavalaria contra os manifestantes que protestavam em Porto Alegre. Essa é a forma como tratam os trabalhadores que lutam pelo futuro do país, contra o assalto ao direito da aposentadoria do povo!”, disse a deputada Fernanda Melchionna.

Caminhada em Porto Alegre reúne 50 mil pessoas durante a noite

Mais de 50 mil pessoas participaram do ato iniciado na Esquina Democrática e encerrado no Largo Zumbi dos Palmares, caracterizando-se como uma das maiores manifestações desde o começo do ano em Porto Alegre.

Foto: Luiza de Castro/Sul21

Eram mulheres, homens, idosos, jovens, famílias com carrinhos com bebês, representantes de partidos, centrais sindicais e movimentos estudantis, preocupadas com a reforma da Previdência e os cortes na educação. A primeira, a pauta principal do ato. A segunda, pauta que se somou após as também extensas manifestações dos dias 15 e 30 de maio. À semelhança dos dois atos contra os cortes na educação, durante a tarde, milhares de pessoas começaram a se reunir diante do prédio da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul para confeccionar bandeiras e faixas. Além da reforma e dos cortes, as reportagens publicadas pelo site The Intercept Brasil com conversas vazadas entre o ex-juiz e agora ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador da República Deltan Dallagnol também estiverem presentes em diversos cartazes e falas, na concentração da Faced e, posteriormente, durante o ato.

Em uma dessas falas, a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) destacou que as mudanças propostas pelo relator da reforma da Previdência, o deputado federal Samuel Moreria (PSDB-SP), não devem esfriar as mobilizações contra a reforma. Na quinta-feira (13), Moreira apresentou um texto na Comissão Especial da Câmara que trata da PEC 006/2019 em que ele retira da proposta do governo Bolsonaro as mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC), a possibilidade de implementação do sistema de capitalização e as alterações nas aposentadorias rurais, entre outras mudanças. “A reforma não foi suavizada. A luta continua”, disse Melchionna, que lembrou que, nesta sexta, completou-se quinzes meses do assassinato ainda não resolvido da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL).

Atos param principais capitais do Brasil

Foto: Mídia Ninja

Em diversas cidades, as imagens que simbolizam a Greve Geral foram as de ruas vazias em horários comerciais. Um mapa interativo feito pelo Armazém Memória e a Comissão Justiça e Paz de SP mostra que houve mobilizações em mais de 380 cidades pelo país, em todos os estados brasileiros. Veja todas as cidades com atos:

Foto: Jesus Carlos

No interior do RS, diversas cidades registram atos

Além dos atos realizados na Capital, dezenas de cidades no interior do Rio Grande do Sul tiveram manifestações reunindo trabalhadores e estudantes contra a Reforma da Previdência e os cortes na Educação. Segundo o jornal Sul21, aconteceram bloqueios em estradas nas cidades de Manoel Viana, Nova Santa Rita, Eldorado do Sul, Candiota, Bossoroca, Viamão, Encruzilhada do Sul, Santana do Livramento, Lagoa Vermelha, Piratini, São Gabriel, Boa Vista das Missões, Pelotas, Caxias do Sul, Rota do Sul, Santa Maria, Cruz Alta, Bagé, Gravataí e São Leopoldo.

Piquetes e acampamentos foram registrados em Pelotas, Passo Fundo, Rio Grande, Bagé, Ijuí, Porto Alegre, Canoas, Alvorada, Caxias do Sul, Gravataí, São Leopoldo, Santa Vitória do Palmar, Sarandi, Erechim, São Lourenço do Sul, Lagoa Vermelha e Sananduva.

Com informações do PSOL50.org.br e do Jornal Sul21.

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