O Caderno Feminista, o primeiro da série Cadernos de Educação Política, foi organizado pelo mandato da deputada federal Fernanda Melchionna durante a pandemia

Durante o mês de março, marcado pelo Dia Internacional da Mulher, mais de 50 mulheres, através de reuniões virtuais, construíram o Caderno Feminista, o primeiro da série Cadernos de Educação Política, uma iniciativa do mandato da deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL/RS). O Caderno, lançado na última quinta-feira (25) visa ajudar no trabalho de politização e organização popular em tempos marcados pela grave desigualdade social e crise do capitalismo global, escancarados pela pandemia.


O Caderno reúne textos escritos por mulheres de diversas categorias, como profissionais da saúde, sociólogas, jornalistas, educadoras populares, professoras e ativistas sociais e também de mulheres, referências locais e nacionais para a luta feminista, como a antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, a vereadora do PSOL/SP, negra e transvestigênere, Erika Hilton, a deputada estadual Luciana Genro, a coordenadora da escola Emancipa Mulher e fundadora da Casa da Mãe Joanna, Joanna Burigo, a vereadora do PSOL/SP, Luana Alves e a ativista e prostituta, Monique Prada.

“Eu sempre digo que não basta ser mulher, tem que estar do lado certo. E é isso que esse Caderno busca elucidar e sintetizar: a luta das mulheres, ontem e hoje, tem que estar a serviço do combate à exploração do sistema capitalista, do patriarcado e do racismo. A teoria permite que nos adiantemos aos acontecimentos, pois nos fornece ferramentas conceituais, e conhecer as lutas do passado nos ajuda na auto-organização das mulheres para defender seus direitos no presente, principalmente em tempos de combate à extrema-direita, como o atual governo Bolsonaro”, diz deputada federal Fernanda Melchionna.
A tentativa de encontrar respostas diante da falência desse sistema, que coloca o lucro acima das vidas, marca toda a construção do Caderno seja através de textos que elucidam as lutas feministas do passado, como ‘Feminismo e marxismo: a luta das mulheres e o desejo de transformar o todo’, de Fernanda Melchionna, que mostra como a luta das mulheres insidia dentro das organizações políticas operárias e nos processos revolucionários no mundo; seja de escritos mais teóricos, como O novo sempre vem’, de Luciana Genro, que, ao apresentar a narrativa da teórica feminista Nancy Fraser para o cenário americano, aponta a necessidade de construir no Brasil um bloco anti-hegemônico, que tenha a classe trabalhadora como força dirigente, diante da atual crise de hegemonia aberta com a falência do petismo e sua política de conciliação de classes; seja de textos que apresentam um panorama pós-Bolsonaro, como ‘A extrema-direita venceu. Feministas, antirracistas e LGBTs também’, de Rosana Pinheiro-Machado’, que mostra o surgimento do reacionarismo emergente, expresso com a eleição de Bolsonaro no Brasil, como uma reação à explosão do feminismo, ao crescimento da consciência feminista, LGBTI+ e da luta antirracista.
“É muito importante ter materiais, como esse, escritos e que possamos deixar como legado para a posteridade. São documentos históricos que nos ajudam a organizar a luta e a nossa visão. Vivemos em tempos tão difíceis, em que falar de esperança parece até um deboche. Mas, com meu texto, busco mostrar os nossos pontos de esperança, expresso nas conquistas da luta feminista. Falo da esperança como aponta Paulo Freire, em Pedagogia do Otimismo, como um sentimento que nos move para frente, como um motor de luta, ao contrário dos reacionários que agem pelo sentimento reativo da raiva”, diz Rosana Pinheiro-Machado, durante o lançamento.
Além disso, o Caderno também é um convite, à experiência do feminismo negro, para repensar a sociedade, através de uma lente que não hierarquize opressões (gênero, raça e classe), afinal, as mulheres negras, além de serem vítimas do machismo e do racismo, são as mais super-exploradas pelo sistema capitalista, ao receberem os menores salários, as maiores vítimas da violência doméstica, da violência obstétrica, e as que mais possuem dificuldades de mobilidade social.
Luana Alves, vereadora do PSOL/SP, conta sobre a importância da luta das mulheres na defesa radical da vida e para o combate à necropolítica do governo Bolsonaro. “Bolsonaro é genocida não por ser um gestor odioso, mas porque pratica uma política de morte. É um governo também anti-mulheres, afinal sua necropolítica tem nossos corpos como principal alvo.” O aumento estarrecedor nos preços dos alimentos, que provoca a fome, o desmonte nas políticas sociais e a maternidade forçada com políticas que negam os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres são exemplos, trazidos por Luana, para mostrar como aumentou o fardo social para as mulheres, principalmente as negras, durante o governo Bolsonaro.
Ademais, como apresenta Erika Hilton, se a mulher negra ainda pertence à comunidade LGBTI+, no Brasil, “ tem que ser boca de chupar facão na brasa”. Com sua contribuição, entendemos a necessidade de lutar contra o “CIS-tema binário e racista, quem dita quem vive e quem morre, que faz da incompreensão da diferença sua base e forma de ação. Em um país que mata mais travestis em todo mundo, e onde viver e envelhecer é um privilégio, a luta por garantia de direitos e contra o “lugar de abjeção e de desumanidade a que tentam nos reduzir de todas as formas, a todo momento” é urgente e necessária.
A deputada estadual Luciana Genro também fortalece a importância da interseccionalidade da luta feminista, defendendo seu caráter anticapitalista como condição indissociável para a libertação de todas as mulheres. “O feminismo na sua origem foi totalmente desvinculado da classe trabalhadora. O movimento das sufragistas, por exemplo, não defendia o fim do trabalho escravo. Nós precisamos construir no bojo desse amplo movimento feminista, que defende o direito por igualdade a todas as mulheres, a interseccção com a luta anticapitalista e antirracista. Nosso feminismo precisa reivindicar uma mudança estrutural da sociedade”, diz.
Ao longo da Caderno também são abordadas a luta pela liberdade e respeito à diversidade dos corpos das mulheres, pela garantia de direitos para as mulheres com deficiência e luta contra o capacitismo, que lê os corpos com deficiência como não produtivos, inferiores e sem valor dentro da estrutura de uma sociedade capitalista, contra a maternidade romantizada, que nega direitos e exige supermulheres, que já são a maioria responsáveis pelas profissões do trabalho reprodutivo, relacionado às atividades de cuidado, o direito das profissionais do sexo, das trabalhadoras da cultura, entre outras.
O Caderno é inteiramente gratuito e pode ser baixado através do site: www.fernandapsol.com.br/cadernofeminista

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