Envolver os atores sociais e entidades nacionais na promoção de políticas públicas de incentivo ao livro e tirar da invisibilidade a luta secular pela democratização do acesso à leitura é um dos objetivos da Frente Parlamentar de Incentivo à Leitura na Câmara dos Deputados, de iniciativa do mandato da Deputada Federal Fernanda Melchionna (PSOL/RS). O lançamento da Frente, assinada por 198 parlamentares, está marcado para o dia 10 de setembro (terça-feira) no Salão Nobre, na Câmara dos Deputados.

Bibliotecária de formação, a deputada federal Fernanda Melchionna sempre teve uma trajetória comprometida com a luta pela garantia de políticas públicas de descentralização e democratização do acesso ao livro e à leitura e de fortalecimento do sistema de bibliotecas públicas, escolares e comunitárias em Porto Alegre. Como primeira bibliotecária Deputada Federal, agora estará empenhada, em Brasília, como parte da luta por um Brasil mais leitor, na valorização e reconhecimento da profissão do bibliotecário.

Dados do IBGE de 2018 apontam que temos um país com 38 milhões de brasileiros ainda analfabetos funcionais e, segundo o Instituto Pró-Livro, 44% da população se declara não-leitora. Diante desse cenário, é urgente contornar os índices tão rasos de alfabetização e leitura da sociedade. “Lutar pela valorização e investimento dos equipamentos de leitura e repensar a baixa prioridade que o nosso país vem dando às políticas públicas de valorização e incentivo ao livro é urgente, ainda mais diante desse cenário em que o atual governo trata a produção de conhecimento como inimiga, corta verbas da educação e da cultura e propaga a desinformação, apoiando-se na criação de uma autoverdade”, aponta Fernanda. A Frente também pretende pressionar pela implementação do Plano Nacional do Livro e da Leitura, instituído em 2006, e analisar as diversas leis que tratam do tema, ainda não regulamentadas no país.

A luta pela implementação da Lei 12.244/2010, que obriga a instalação de bibliotecas em todas escolas até 2020, também será central. No Rio Grande do Sul, por exemplo, apenas 20 bibliotecários atuam nas mais de 2 mil escolas estaduais do estado e desde a década de 90 não há concurso público para a contratação desses profissionais. Dessa forma, assegurar que as bibliotecas escolares brasileiras tenham infraestrutura e profissionais concursados e qualificados para exercer seu trabalho é fundamental para avançar na garantia de uma sociedade mais leitora e com formação humana e crítica.

“O papel dos bibliotecários como mediador da leitura e na transformação da biblioteca em um espaço de formação de leitores está sendo completamente ignorado. A última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostrou que os brasileiros leem em média apenas 2,43 livros por ano. Em uma sociedade tão dominada por fake news, a leitura ganha papel fundamental para que os cidadãos possam discernir a verdade diante de uma maré de notícias falaciosas”, conclui a deputada Fernanda.

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