A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL/RS), em requerimento apresentado junto à deputada Talíria Petrone na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, solicitou o comparecimento de Ernesto Araújo, Ministro das Relações Exteriores, para que explique o veto em diferentes resoluções da ONU de expressões como gênero, feminismo e saúde reprodutiva da mulher conforme noticiado pela imprensa. O requerimento foi aprovado e o ministro deve comparecer no dia 7 de agosto na Casa.

As recentes orientações do governo Brasileiro que incluem a supressão nos textos e resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) das expressões relacionadas a “gênero” – ou sua redução ao conceito de sexo biológico – e o veto às expressões “saúde reprodutiva” e “direitos sexuais e reprodutivos” retrata o alinhamento de sua política externa a valores conservadores e obscurantistas.

“O que se observa é que o Ministro Ernesto Araújo está, à revelia deste Poder Legislativo e mesmo do Judiciário, conduzindo o Brasil a um alinhamento ao conjunto de países mais retrógrados do mundo, no que diz respeito sobretudo aos direitos das mulheres e da população LGBTI, e ainda colocando em risco a liderança e credibilidade internacional de nosso país. Tudo isso sob o pretexto de combater um suposto “marxismo cultural” ou “globalismo””, aponta o texto do requerimento.

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“Na opinião deles, a luta contra a discriminação e a violência à população LGBTI+ e às mulheres é uma tentativa de manipular a sociedade para que se ache normal algo que é puramente ideológico por parte da esquerda. Como se a visão desses moralistas da extrema-direita não fosse ideológica. Além disso, as manifestações dos diplomatas brasileiros na ONU, solicitando a retirada da expressão “gênero” e a frase como “vulnerabilidade à violência sexual e com base em gênero” de resoluções é uma forma de negar o machismo estrutural como uma das razões da violência contra nossas mulheres e o acúmulo de teorias da antropologia, filosofia e da sociologia que define gênero, sim, como uma construção social. Esse comportamento do Brasil tem deixado a maior parte das representações, de países que mantém relações diplomáticas com nosso país, estupefatos.” concluiu Fernanda.

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