Protesto de servidores do RS denuncia 31º mês de atraso nos salários. Estamos na luta contra o desmonte do estado!

Participamos nessa manhã de terça-feira (3), da concentração anterior à mobilização dos servidores do Estado do Rio Grande do Sul contra os parcelamentos do salário do funcionalismo estadual, que já entraram no 31º mês – um verdadeiro retrato do desmonte do estado e da política de estado mínimo praticada pelo desgovernador Sartori. Os trabalhadores estavam reunidos na Praça da Alfândega, em frente à sede do Banrisul. No mesmo dia, a imprensa local divulgou questionamentos do Ministério Público questionando a venda de ações do banco.

“Não é de hoje que viemos denunciando a política de desmonte do governo Sartori. A venda das ações do Banrisul a preço abaixo do mercado é uma forma de facilitar a privatização desse importante ativo do Estado e de dar mais poder ao mercado. E também derruba o poder do Estado de intervenção no desenvolvimento da economia gaúcha. Como bancária do Banrisul estarei lado a lado com meus colegas na defesa do patrimônio gaúcho”, diz a vereadora de Porto Alegre Fernanda Melchionna.

O presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do Rio Grande do Sul (UGEIRM), Isaac Ortiz, explica que o local da manifestação foi escolhido para marcar a situação de precariedade dos pagamentos. “Estamos aqui no local onde todos os meses precisamos comprar os nossos salários, tendo que realizar empréstimos absurdos para ter acesso aos nossos pagamentos”, diz.

Ortiz afirma que os trabalhadores foram surpreendidos com graves denúncias de corrupção envolvendo as vendas das ações do Banrisul. Na manhã desta terça-feira, a mídia local divulgou que Ministério Público está questionando o processo. Sartori vendeu as ações a preço unitário de R$ 17,65, um valor extremamente abaixo do mercado de acordo com o MP, causando prejuízos gigantescos à população do Rio Grande do Sul. Além do problema de vender as ações a baixo custo, diversos sindicatos e instituições financeiras estão questionando as vendas no Ministério Público de Contas (MPC), alegando que não há transparência nos processos.

As suspeitas iniciam pelo aviso de que as ações estavam à venda no ambiente virtual da bolsa de valores apenas 1h antes do leilão, no dia 27 de abril. No mesmo dia em que o Estado vendeu as ações por R$17,65 cada, elas aumentaram para R$ 20,35 em valor. Alguns dias depois, as ações foram para R$ 25,66, ou seja, foram vendidas 31% mais baratas.

“A situação é gravíssima. A justificativa do governador para vender as ações do banco era ter recursos para pagar os servidores e isso não está acontecendo da forma adequada”, afirma o vice-presidente do sindicato, Fábio Castro. O Banrisul também vem sendo constantemente alvo de privatização.

De acordo com Isaac Ortiz, o governo está destruindo o patrimônio público e culpando os servidores pela crise. “Nós lutamos muito contra essa falta de segurança pública que se instalou no Rio Grande do Sul. Temos denunciado que as operações da Polícia Civil tem servido para dar mídia a esse governo, para colocar o nome do governador em evidência, mas é um governo fracassado, que não dá as mínimas condições de trabalho para as pessoas, não respeita nem os trabalhadores da segurança pública, nem nenhum trabalhador”, afirma.

Foto: Paola Rodrigues