CÂMARA DECIDE CALAR O PSOL!

Na noite de ontem (09/09) nosso partido sofreu uma gravíssima derrota. A Câmara dos Deputados confirmou a aprovação da Lei da Mordaça e de outros itens abusivos da equivocadamente denominada reforma política.

Na contramão dos acontecimentos políticos, a Câmara manteve o financiamento empresarial de campanha por folgada maioria de votos. Isso demonstra a distância entre a imagem de que estamos diante de uma operação policial destinada a desmontar o financiamento privado e a corrupção que este modelo enseja e o interesse de se livrar do PT (que decidiu se manter no poder usando as mesmas práticas das elites) e, ao mesmo tempo, fazer de conta que mudou alguma coisa.

Com o agravamento da crise política e econômica, a elite ainda não decidiu se vai se livrar de Dilma e fazer um pacto de transição com o velho e fiel PMDB ou se prefere sangrar o petismo durante os próximos anos. Mas de uma coisa a votação de hoje trouxe uma certeza: a elite não quer correr riscos de que surjam outros atores sociais no jogo político. Não quer deixar nenhuma margem para surpresas.

Há um espaço político para uma alternativa de esquerda no desenrolar desta crise. Não é o único caminho e temos que admitir que nem o mais provável. Mas a elite não quer abrir espaço para a reconstrução de um ideário que questione a concentração de renda, a política de austeridade e o ataque aos direitos sociais.

O PSOL tem ocupado um importante espaço político. Acertamos ao manter o diálogo de esquerda no segundo turno das últimas eleições. Denunciamos a guinada conservadora do petismo. Não embarcamos na mobilização da direita (caminho mais fácil para se manter na crista da onda). E temos trabalhado para desgrudar da esfera do petismo os movimentos sociais combativos. Nossa bancada faz uma qualificada oposição programática ao petismo e a velha direita. Nossa militância está ativa e presente em cada luta que surge e se fortalece.

Apesar de tudo isso, nestes dez anos foi a presença institucional que deu visibilidade ao PSOL. A participação marcante de suas candidaturas presidenciais, o espaço alcançado pelos nossos valorosos candidatos em disputas estaduais e municipais, tudo isso nos permitiu dialogar com milhões de brasileiros. A contragosto das grandes emissoras e das elites, os nossos candidatos trataram de temas proibidos, defenderam bandeiras que somente o PSOL continua tendo coragem para erguer. E é isso que a “reforma política” quer impedir que cresça e se consolide.

Caso a presidenta Dilma sancione esta lei da mordaça, nossos candidatos e nossas candidatas estarão excluídas dos debates eleitorais, nosso tempo na propaganda eleitoral será reduzido e a elites poderão continuar financiando abertamente o seu projeto.

Tentaremos pressionar a presidenta Dilma para vetar a lei da mordaça e isto deverá envolver forte mobilização de toda a militância do partido e da esquerda.
Estamos na reta final da primeira etapa do V Congresso Nacional de nosso partido. Muitas energias estão sendo gastas no saudável embate de ideias e na disputa pela direção partidária. Mas também este momento necessariamente deve ser aproveitado para refletir de forma bastante profunda sobre este novo quadro.

Não somos uma organização bolchevique, não somos um partido clandestino. Estamos tentando construir um partido de massas, legal e que disputa dentro e fora da ordem. A lei da mordaça é uma forma de impedir o nosso crescimento nos espaços institucionais, diminuindo nossa audiência política. E devemos discutir como organizar o partido para resistir a este golpe violento contra as liberdades democráticas e o direito de representação do pensamento de esquerda em nosso país.

Entre o dia 20 de setembro e a primeira semana de dezembro todos nós, de todas correntes internas e filiados independentes, possuem esta tarefa. Não podemos sair do V Congresso sem uma estratégia clara e bastante unitária de como manter nossos espaços institucionais e de como nos apresentar no ano que vem como o principal polo aglutinador para todos aqueles brasileiros que sonham com a transformação social.

Luiz Araújo
Presidente do PSOL

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