Após execução de um usuário, PACS reabre por ordem da gestão sem dar assistência aos trabalhadores

Na última quinta-feira (27/11), por volta de 18 horas, um homem entrou na unidade de Pronto-Atendimento da Cruzeiro do Sul (PACS) para atendimento clínico acompanhado da esposa. Seis homens armados chegaram em seguida, invadiram o prédio, localizaram o usuário e o executaram com pelo menos dez tiros. Felizmente nenhum outro usuário ou servidor foi ferido. O Postão da Cruzeiro foi fechado para que fossem realizados os trabalhos de perícia pela Polícia Civil e para que se restabelecesse a segurança.

A vereadora Fernanda Melchionna esteve presente ontem (28/11) na assembleia dos funcionários do PACS, que ocorreu na Emergência do postão que permanecia fechado. Os funcionários do

Fernanda presta solidariedade aos trabalhadores do PACS e se coloca à disposição

Fernanda presta solidariedade aos trabalhadores do PACS e se coloca à disposição. Crédito: Ana Silva.

PACS se reuniram para discutir as medidas urgentes para o retorno das atividades com segurança, com o mínimo de respaldo do Executivo após o episódio traumático. Muito abalados, os funcionários não estão sendo tratados com as mínimas condições para dar sequência ao trabalho. Fernanda prestou solidariedade a todos os trabalhadores e se colocou à disposição para cobrar do Executivo as demandas encaminhadas na assembleia.

Os funcionários do PACS debateram novos métodos para efetivar, de fato, a segurança no posto e, além disso, relataram que como os seguranças são terceirizados, há grande rotatividade de profissionais, não existindo um reconhecimento dos funcionários do PACS com a equipe de segurança.

Foi também ressaltado na assembleia que houve, com o assassinato, um rompimento de paradigma e que a gestão não está dando a assistência adequada aos trabalhadores. “Precisamos reorganizar a estrutura do posto. Hoje o que temos é uma estrutura tampão, não uma estrutura que atenda de fato a população. As pessoas ficam expostas, é desconfortável para todo mundo. As coisas não acontecem por acaso, porém por descaso”, afirmou uma trabalhadora.

“O que aconteceu aqui não foi um acidente de trabalho, mas, sim, uma tragédia de trabalho. A Secretaria precisa dar assistência a todos os trabalhadores do PACS, é necessário um atendimento psicológico aos trabalhadores. E é evidente que o debate sobre modelo de segurança e uma efetivação de um plano de segurança para o PACS é mais do que urgente”, destacou Fernanda.

Infelizmente, a coordenadora de urgências da Secretaria Municipal da Saúde informou que o secretário municipal da Saúde, Carlos Casartelli, determinou a abertura do PACS neste sábado, às 8h. A decisão, passada por telefone, foi comunicada aos servidores da unidade, momentos após o grupo decidir, em uma reunião que durou mais de duas horas, que o PACS ficaria fechado três dias em sinal de luto, para marcar o sentimento coletivo de insegurança. A vontade dos trabalhadores que sofreram o trauma e que não tiveram sequer um atendimento psicológico não foi levada em consideração.  A gestão precisa entender que é fundamental medidas para o retorno das atividades, mas com segurança e assistência aos trabalhadores. Resta a dúvida: e a saúde dos trabalhadores da saúde? Quem cuida?

Assembleia no PACS após tragédia de trabalho. Crédito: Ana Silva.

Assembleia no PACS após tragédia de trabalho. Crédito: Ana Silva.

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