PSOL classifica ação da polícia como criminalização de movimentos sociais

Em entrevista coletiva à imprensa nesta quarta, 2 de outubro, o PSOL pediu o arquivamento do processo contra o militante Lucas Maróstica e afirmou que o secretário de segurança, Airton Michels, não tem condições de permanecer no cargo. Lucas foi uma das pessoas que teve a casa revistada por policiais na tarde da terça-feira, acusado por “formação de quadrilha” pelos protestos de junho.

 

Criminalização de movimentos sociais

“Exigimos o arquivamento do inquérito do Lucas. Ele não cometeu crime algum. Está sendo acusado de formação de quadrilha por que esteve na organização das mobilizações que levaram milhares às ruas? Ou ser de esquerda é o crime? Ou ser do PSOL?”, questionou o vereador e presidente estadual da sigla, Pedro Ruas, que enfatizou que o partido não pratica atos de depredação e de violência.

Lucas Maróstica protestou: “Há poucas semanas apareci na TV, no programa do Tarso, que utilizou as imagens de militantes que foram às ruas em junho, dizendo que o governo ouviu as pautas dos movimentos. Agora invadem minha casa dizendo que aquilo era crime. Se foi tentativa de nos intimidar, o resultado foi o contrário. Seguiremos mobilizados”.

Luciana Genro, ex-deputada federal, atuará como advogada de Lucas no caso a firmou que, além da exigência política de arquivamento do inquérito, o partido também tomará medidas jurídicas, como a solicitação de um habeas corpus, pois não há base material para a investigação. “Os governos não deram resposta satisfatória aos movimentos de junho, o que nos dá certeza de que outros junhos virão. Como não conseguem dar respostas, criminalizam, respondem com Estado penal a demandas que são sociais”.

Solidariedade

Para Roberto Robaina, liderança do partido, o ataque a Lucas e a militantes de outras organizações políticas é uma tentativa de criminalização dos movimentos sociais. “Nós não escondemos o que fazemos. Quando defendemos uma causa, defendemos abertamente. Então qual é o crime? Nós não cometemos crime algum”. Roberto também defendeu que toda e qualquer situação semelhante à de Lucas seja arquivada, lembrando dos casos dos professores do PSOL e integrantes do CPERS que foram acusados de depredação do patrimônio público, e das outras organizações que tiveram integrantes com as casas revistadas pela polícia.

Fernanda Melchionna, vereadora do PSOL, ainda lembrou que apenas regimes totalitários cometeram apreensão de livros, praticada pela polícia civil na terça-feira. A vereadora classificou as apreensões como “absurdas”. Fernanda também afirmou que até agora não houve respostas às denúncias feitas pela Comissão de Direitos Humanos, presidida por ela, sobre violações de direitos humanos durante os protestos de junho.

 

Assista aqui a entrevista na íntegra:

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