Os educadores merecem respeito!

Passado o levante de junho, os governos mostram sua verdadeira face. Quando milhões estavam nas ruas, Tarso propagava aos quatro ventos que tentava ouvir as demandas dos jovens mobilizados. Prometeu inclusive o passe livre estadual até 1º de agosto, mais uma para entrar no rol de suas promessas não cumpridas.

No Congresso do CPERS realizado em 2010, o então candidato Tarso dizia que “com certeza” cumpriria a Lei do Piso Nacional do Magistério. Já como governo, começou o “veja bem”. Entrou com a Ação Direta de Inconstitucionalidade para que o piso não fosse ajustado pelo FUNDEB.

Ou seja, Tarso lutou nacionalmente para que o aumento do piso fosse pautado por índices inflacionários mais baixos. Perdeu! Mesmo com esta derrota no Judiciário, seguiu sem cumprir a lei que, contraditoriamente, foi sancionada quando era Ministro da Educação.

Aliás, durante o governo Yeda, quando cobrávamos o Piso deste desastroso governo, o discurso do PT era que a então governadora não pagava o piso porque não queria. A justificativa era que estados com recursos insuficientes para garantir um salário minimamente digno aos seus professores poderiam requerer complementação do governo federal.

Pois é, a pergunta segue atual: mas afinal, porque o governo Tarso não requer complementação? Ou melhor, por que não audita a dívida pública que consome R$ 3  bilhões do orçamento do Estado anualmente? Ou por que não começa a cobrar os impostos isentados dos grandes empresários, o que totaliza R$ 10 bilhões por ano? Por que não soma as economias que poderiam ser feitas com o corte dos CCs e da verba em publicidade?

Dá e sobra para garantir direitos e investir na educação pública. O fato é que Tarso prometeu o piso e o que deu foi uma Reforma do Ensino Médio  – sem nenhuma discussão com a comunidade – que reduz disciplinas fundamentais do ensino generalista (no ano que vem jovens do 3º ano do Ensino Médio terão 1 mísero período de Matemática por semana, por exemplo), precariza a educação e joga os jovens para serem mão-de-obra barata como estagiários, em atividades que muitas vezes não tem nenhum caráter de aprendizagem. Sem contar a confusão das escolas com o dito “Seminário”, empurrado para ser feito pelas direções sem nenhuma orientação ou aumento da equipe pedagógica para efetivá-lo. Aliás, quase metade das escolas públicas do RS não tem Serviço de Orientação Educacional e a maioria das bibliotecas está fechada por falta de bibliotecários para garantir que este importante espaço seja mais um recurso do processo de ensino e de aprendizagem.

Por isso os trabalhadores em educação estão em greve há mais de duas semanas. A ausência de diálogo foi a marca do processo de negociação. Além de descumprir sua palavra, o governo Tarso insiste em dizer que paga o piso. Mente descaradamente, incluindo benefícios como se fosse salário. Os benefícios não são computados para a aposentadoria e tampouco ajudam a dignificar uma profissão tão importante e tão desrespeitada pelos governos. Para piorar, jogaram bomba de gás e spray de pimenta em educadores e estudantes que se mobilizavam em frente à casa do governador. O chefe de Estado é uma figura pública que pode morar no Piratini ou optar por seguir em sua casa. De qualquer maneira, está sujeito a mobilizações e demandas das categorias e do povo. Em março, quando taxistas foram à frente da casa de Tarso de madrugada para reivindicar segurança e pedir a investigação de assassinatos de colegas, o governador desceu e, corretamente, dialogou com os taxistas. Por que não com os educadores? Por que um peso e duas medidas? Será que para os indígenas que lutam pela demarcação de terra e para os trabalhadores em educação em greve a única coisa que Tarso tem a “oferecer” é repressão? Lamentável!

 

Texto publicado no portal Sul 21.

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