Comissão de Direitos Humanos defende situação de estudantes do Colégio La Salle Pão dos Pobres

Munidos de cartazes que pediam democracia e denunciavam censura no Colégio La Salle Pão dos Pobres, estudantes e pais participaram da audiência da Comissão de Direitos Humanos (Cedecondh) da última terça, 25 de junho. Proposta por nosso mandato, a reunião teve como pauta a perseguição a alunos e pais que protestaram contra a demissão do professor de História Giovanni Biazzeto.

“Quando souberam da demissão do professor Giovanni, alunos de quinta a oitava série começaram a se organizar e chamar os pais para ir à escola. Nós fomos, porque queríamos uma justificativa para explicar a demissão aos nossos filhos. A forma como os diretor nos recebeu foi prepotente e ditatorial”, contou uma das mães presentes na reunião. “Ficamos estarrecidas. O diretor disse: não interessam os motivos, quem manda na escola sou eu”, narrou outra mãe.

 

A demissão

O professor Giovanni, que participou da audiência, enfatizou que nenhum motivo técnico ou pedagógico foi apresentado para sua demissão, mas ressalta que desde que um novo grupo assumiu a direção, em janeiro deste ano, muitas coisas mudaram na escola. “Trabalhei quatro anos na instituição e durante esta trajetória só fui promovido. Coordenava um projeto premiado e representei a instituição em vários lugares do país. Qualquer profissional pode ser demitido, a questão não é essa, mas a maneira como aconteceu”, argumenta Giovanni. De acordo com ele, o diretor buscava formas de impor a religião aos professores e aos alunos, o que Giovanni discordava. “Enquanto a escola não for capaz de ouvir o educando e lhe dar liberdade e autonomia, não vai construir nenhuma educação de qualidade”, completa.

Gabriela Bercht, professora de Filosofia que pediu demissão em solidariedade ao colega conta que vinha se sentindo constrangida com as práticas do novo diretor. “Quando o professor Olir entrou na escola comecei a me sentir coagida a cada vez mais trabalhar com a religiosidade”. A professora, que é ateia, defende a liberdade de manifestação religiosa. “De acordo com a Lei das Diretrizes e Bases da Educação, uma das funções básicas do ensino fundamental é promover a cidadania, e este direito básico está sendo negado para os alunos da escola”.

 

Ameaças a estudantes

Os alunos e pais narraram uma série de episódios com tom ameaçador que se seguiram às demissões. Os alunos organizaram um protesto em frente à escola e, como consequência, foram chamados para uma reunião, sem a comunicação a seus pais, em que representantes da escola solicitaram aos estudantes que apagassem os vídeos e fotos do protesto feitos em seus celulares. Alunos e pais também relataram ameaças de perda da bolsa de estudos ou de expulsão caso continuassem se mobilizando contrariamente à demissão.

Presentes na reunião, a coordenadora pedagógica da instituição, Vanderleia Conrad, e o assessor jurídico, Hélio de Souza Silveira, negaram as acusações e defenderam que desde que a nova direção assumiu tem se buscado reforçar a identidade “lassalista”.

“Estamos vendo um caso claro de assédio moral e perseguição ideológica. Mesmo se tratando de uma escola confessional, existem preceitos de respeito às crenças, à liberdade religiosa de estudantes e profissionais”, afirmou Fernanda, certa de que a mediação da Comissão trará resultados conciliatórios. Como encaminhamento, foi agendada uma nova reunião, com o diretor da escola, Olir Fachinello. Representantes do Conselho Tutelar e do Ministério Público que participaram da audiência já estão acompanhando a situação e a Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude de Porto Alegre está instaurando um inquérito civil para averiguar a situação.

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